Já não se fazem mais fábricas como antigamente….

Já não se fazem mais fábricas como antigamente….


Um ambiente barulhento, abafado, escuro e cheio de graxa. Essa é a imagem que muitos têm em relação às indústrias, mas, esse modelo de produção industrial está com os dias contados. Estou falando de uma revolução silenciosa chamada indústria 4.0 ou indústria inteligente.

O conceito de indústria 4.0 surgiu em 2011, na Feira de Hannover, na Alemanha. Á época, foi lançado um projeto entre empresas, governo e universidades para modernizar a indústria local que já era considerada uma das mais avançadas do mundo. Em 2014, os Estados Unidos criaram um consórcio de Internet Industrial com o intuito de alavancar o conhecimento e promover a parceria entre empresas como IBM, General Electric, Intel que foram as pioneiras dessa organização.

O capital de investimento necessário para possibilitar uma fabricação com pouca mão de obra, que é uma das principais características da indústria 4.0, vai se tornar o fator decisivo da nova era da produção industrial. As fábricas vêm se tornando cada vez mais automatizadas e eficientes, mas, essa mudança vai muito além da simples influência nos processos de produção. A indústria inteligente chega para mudar a maneira de trabalhar e de se relacionar da empresa com seus colaboradores, clientes e fornecedores e, em poucos anos, deve se multiplicar por outros países.

Mas, antes de avançarmos nas projeções, vamos revisitar brevemente o passado para entendermos a linha do tempo da evolução industrial. Ao final deste artigo, teremos a combinação de três elementos comuns a todas as revoluções industriais e a influência

das transformações industriais no modo de vida das pessoas. Caso já tenha as revoluções anteriores na “ponta da língua” pode então ir direto para a quarta revolução!

Primeira Revolução Industrial – século XVIII

 A Primeira Revolução Industrial começou com os ingleses, no século XVIII, com a substituição do trabalho artesanal pelo assalariado e com o início da utilização das máquinas. Foi a partir dessa época que o trabalho físico começou a ser transformado em força mecânica!

A energia a vapor passa a ser utilizada na extração de minério, na indústria têxtil e na fabricação de diversos produtos, antes feitos à mão. O escocês James Watt aperfeiçoou a máquina a vapor, influenciando a produção têxtil que se tornou o grande símbolo de riqueza da época.

Surge o telégrafo. A locomotiva e o navio a vapor substituem os antigos meios de transporte ampliando a circulação de mercadorias e de pessoas.

Nasce a ciência moderna, o capitalismo e as novas profissões. A mecanização chega à agricultura. Os centros urbanos crescem e a demanda por matéria-prima também!

Segunda Revolução Industrial – século XIX até XX

 Aproximadamente 200 anos depois, o mundo vive uma nova fase de desenvolvimentos, dessa vez nas indústrias química, elétrica, do petróleo e do aço. Novas descobertas chegaram para revolucionar a maneira de viver das pessoas como, por exemplo, o enlatamento de comidas, a refrigeração mecânica, o telefone eletromagnético e o avião. Tudo isso estimulou a exploração de novos mercados e a aceleração do crescimento industrial.

Esse período consagrou a posição da Alemanha, do Japão e dos Estados Unidos como potências industriais junto à França e ao Reino Unido.

Com a invenção do motor à combustão o petróleo adquire nova utilidade e a eletricidade passa a ser utilizada como um tipo de energia transmitida em longas distâncias. Ambos ajudam a definir os novos padrões de produção industrial da época.

E por falar em novo padrão, o norte americano Henry Ford cria a linha de produção em grande escala que trouxe redução de custo, popularidade ao produto e a facilidade de aquisição para os trabalhadores. Tal movimento iniciou um ciclo virtuoso na indústria e na economia levando o capitalismo a patamares mais elevados.

Terceira Revolução Industrial – século XX

 A partir da segunda metade do século XX, chegamos à era da terceira Revolução Industrial ou Revolução tecnocientífica, iniciada após o término da Segunda Guerra Mundial. Nessa época, os Estados Unidos, país que havia se tornado a grande potência econômica do período, dava seus primeiros passos em direção à era da automação.

Os avanços da robótica e da engenharia genética são incorporados ao processo das fábricas e elas passam a depender menos da mão-de-obra e mais da alta tecnologia. É quando surge o movimento de globalização e a expansão do desemprego estrutural. A terceirização da mão de obra também torna-se bastante comum.

A informática passou a produzir computadores e softwares, assim como a microeletrônica produzia chips e produtos eletrônicos. As telecomunicações viram o rádio e a televisão tornarem-se populares, assim como também ocorreu com a telefonia fixa e móvel. Os aviões, ah… os aviões tornaram-se supersônicos! Nessa época, também houve um grande avanço nas indústrias farmacêuticas por meio da biotecnologia com seus medicamentos, plantas e animais alterados geneticamente. Surge a internet.

Observe que algumas descobertas foram impactantes desde o seu surgimento e continuam a influenciar ainda nos dias de hoje a maneira de trabalhar e até mesmo de viver das pessoas.

Quarta Revolução Industrial ou Indústria 4.0 – século XXI

O produto ganha vida própria!

 Inaugurando a era da indústria 4.0, ainda em transição, temos a internet como protagonista associada aos sistemas de big data. Utilizada inicialmente como pivô de comunicação entre as pessoas entre si e entre pessoas e máquinas, hoje ela adapta seus protocolos e permite que máquinas conversem com máquinas sem nenhuma intervenção humana neste processo. Num futuro próximo, o produto decidirá sozinho como deverá ser fabricado!

Se antes os equipamentos só eram programados para obedecer a ordens enviadas por um software, a partir de agora eles também emitirão informações sobre seu próprio ciclo de vida por meio se sensores inteligentes. Assim, antes mesmo de apresentar um problema de funcionamento, uma máquina enviará sinais de que precisa passar por uma manutenção preventiva. Além disso, o gerenciamento da fábrica pode ser realizado remotamente da casa do gerente responsável pela produção desde que ele tenha uma conexão de internet adequada. Agora, imagine ter acesso ao estoque do cliente, estoque do fornecedor, aumento no preço das matérias primas, previsão do tempo entre outros dados utilizados para a tomada de decisões, tudo isso interconectado num banco de dados único. Essa já é a realidade das fábricas do futuro que oferecem ambientes de manufatura cada vez mais flexíveis e adaptados às necessidades dinâmicas de cada segmento. E se as empresas têm vantagens com esse modelo, os consumidores também se beneficiam dessa flexibilidade que é traduzida em produtos cada vez mais customizados.

Sabe aquele conceito famoso de ter o cliente como foco? Pois então, na indústria 4.0 ele permanece e ganha novos alcances na medida em que os produtos serão realmente personalizados para necessidades individuais. Estou falando de fábricas não apenas conectadas entre si, mas também conectadas ao cliente. Imagine que seu celular está terminando a vida útil dele e que o fabricante já está preparado para fabricar um novo aparelho, com a cor, as configurações e o modelo já definidos por você. Antes mesmo do antigo aparelho decretar o fim de sua jornada ao seu lado, você já estará recebendo o substituto.

Gradativamente, todos nós viveremos experiências como essa, pois estamos apenas no estágio inicial de uma mudança tão profunda quantos aquelas das revoluções anteriores e para prosseguirmos com o tema acho importante ressaltar que a indústria 4.0 é exatamente a versão industrial da Internet das Coisas.

Internet das coisas ou Internet of Things (IOT)

Esse é o termo utilizado para a revolução tecnológica que amplia a autonomia das coisas por meio da internet. Ou seja, são automóveis, eletrodomésticos, equipamentos e máquinas, conectados à rede de internet realizando diversas ações autonomamente de acordo com uma variação incrível de programações. O Google glass, por exemplo, é uma boa referência de internet das coisas.

No caso da indústria, temos os sistemas de produção ciberfísicos (CPPS) onde todos os equipamentos e máquinas inteligentes estão conectados em rede, integrados a sistemas de armazenamento de dados e a recursos de operação para troca de informações e comandos automáticos. O resultado disso? A IOT Industrial tem a capacidade de incrementar significativamente a produtividade e a competitividade das economias, ou seja, é o futuro da manufatura moderna.

Na prática, quais são os benefícios de uma indústria 4.0?

A energia elétrica representa um dos mais altos custos do processo operacional e será ao mesmo tempo uma das maiores reduções da indústria moderna. Fábricas paradas em feriados ou finais de semana será coisa do passado. Esqueça também paradas não programadas e desperdícios em geral. Como um todo, haverá a redução de custos operacionais e erros humanos. Teremos o aumento da segurança, da conservação ambiental e o fim do desperdício. Em termos de comunicação, haverá maior transparência nos negócios e um melhor atendimento das demandas dos clientes com impactos inclusive na geração de novas receitas. Isso tudo sem falar da qualidade de vida e da produtividade dos funcionários. Para o cliente as empresas poderão oferecer uma personalização e escala de produção.

Quando teremos a internet das coisas nas indústrias do Brasil?

Bem, a resposta não é matemática, mas sim financeira já que o capital de investimento necessário para possibilitar uma fabricação com pouca mão de obra humana vai se tornar o fator decisivo da produção desta nova era.

No ano passado, foi realizada uma pesquisa da Accenture com mais de 1.4 mil líderes de empresas globais, dos quais 736 são CEOs, a respeito dos planos e investimentos na internet das coisas e o resultado foi um tanto quanto contraditório.

Observe que havia a expectativa dos Estados Unidos adicionarem US$ 6,1 trilhões ao PIB acumulado do País até 2030 com os investimentos na IOT e os ganhos de produtividade resultando num aumento de 2,3% para o PIB norte americano. No caso da Alemanha esse acréscimo seria de US$ 700 bilhões no mesmo período, ou seja, elevação de 1,7% para o PIB alemão. Outros países como o Reino Unido e a China também fizeram suas projeções e o acréscimo projetado para seus PIBs seria da ordem de 1,8% e 1,3% respectivamente.

E se as expectativas são tão arrojadas, por quê apenas 7% dos entrevistados têm estratégias globais definidas para a IOT?

Bem, estamos falando de algo grandioso e que requer altos investimentos, portanto este seria o fator número um para que a chegada da indústria 4.0 ainda não tenha alcançado solo brasileiro. Some a isto a imprevisibilidade dos prazos e da metodologia de implementação. Por fim, considere o atual cenário de incertezas e dificuldades econômicas e políticas que torna esse desafio ainda mais difícil.

Assim como os alemães, nós também precisaremos unir forças e conquistar o apoio e o comprometimento de outras empresas, do governo e de instituições acadêmicas e de pesquisa. Além disso, há também a necessidade de uma capacitação especializada de engenheiros, gestores e profissionais técnicos em geral a respeito das novas tecnologias.

No próximo artigo, falarei sobre dois assuntos: a automatização e o futuro da mão de obra e o Marketing 4.0.

Por Fabiana Schiavetto


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